Como Comprar um Notebook

O post de hoje será mais uma conversa sobre a experiência de ter comprado um computador novo do que um post técnico mesmo.

Hoje em dia, não é mais fácil descobrir a velocidade de um processador somente olhando para o nome ou as especificações dele. Da mesma forma,  temos diversos fatores que devem ser pensados na compra de uma máquina seja para trabalho, jogos, ou simplesmente para uso no dia a dia. Comecemos então com as marcas:

Em primeiro lugar, é bem difícil identificar se um computador é bom ou não apenas por fotos ou pessoalmente: isso deve ser um trabalho de pesquisa, muitas vezes intensa. Quando estamos pesquisando, é comum pensarmos em marcas como HP, Dell, ou semelhantes como idéia de “marcas confiáveis”. Às vezes, erramos feio usando esse pensamento. Então, vamos pensar de outra forma: para que será usada a máquina?

Se formos usá-la para uma jogos, ou para renderização 3D, o ideal é comprar uma com placa de vídeo potente. Se o sistema a ser usado for Windows, prefira uma que vem com placa de vídeo AMD. Agora, se for Linux, sua melhor escolha ainda é Nvidia, mesmo com os drivers ruins do Optimus. Se for usar a máquina para edição de vídeo, aí temos um impasse: muitos softwares hoje ainda renderizam apenas usando o processador. Então, nesse caso o ideal é conhecer o aplicativo que você deseja usar: por exemplo, há um software de edição de vídeo que utiliza o CUDA, padrão da Nvidia, logo sem uma placa Nvidia, o software não vai aproveitar o processamento da placa (e, no caso de alguns softwares em geral, sequer vai funcionar).

Já se o uso for para processamento, por exemplo, programação ou edição de áudio, vídeo, ou imagens, o ideal é um processador bom. E aí começam os problemas: identificar um processador bom, e identificar uma placa boa para esse processador nem sempre é uma tarefa fácil. Por isso, é importante conhecer a tecnologia atual:

PLACAS DE VÍDEO
Pouca coisa mudou na tecnologia de placas de vídeo: o que era verdade a alguns anos atrás continua sendo verdade hoje. Exceto no caso dos notebooks. A Nvidia lançou uma tecnologia chamada Optimus, que consiste em: nos notebooks, a placa de vídeo Nvidia não vem ligada diretamente à saída de vídeo. A placa vem ligada à uma outra placa, mais fraca porém econômica: uma placa Intel. A AMD tem uma tecnologia semelhante. A vantagem disso é que, no caso dos notebooks, as placas de vídeo Intel são mais econômicas, e consequentemente a maquina aguenta mais tempo só conectada na bateria. A desvantagem é óbvia: a placa perde um pouco do poder de processamento, e os drivers para Linux são precários. No Linux, você deve preferir as placas Nvidia: os drivers para ela (bumblebee) são melhores, porque você pode forçar a placa Nvidia para rodar determinado programa. No Windows, as placas AMD costumam ter performance melhor, logo escolha uma AMD. Mas PESQUISE sobre as duas placas antes de comprar, para comparar performance.

PROCESSADOR
Processador é uma das tecnologias que mais muda. Hoje em dia, os processadores bons de notebook são os da Intel: a AMD ainda brilha, mas para alto processamento, a AMD simplesmente não alcançou a Intel no campo mobile (já no campo Desktop, a coisa mudou). Os processadores Intel vem com três tecnologias que devem ser levadas em consideração:
Número de cores (núcleos): o número de núcleos de processamento é um fator importante: sempre prefira processadores com mais núcleos do que com menos, pois isso fará diferença enquanto você estiver processando coisas em simultâneo, o que fazemos o tempo todo hoje em dia. Mas cuidado porque há uma outra tecnologia que se confunde com o número de núcleos…
Hyper-threading: Tecnologia antiga da Intel que permite que cada processador processe, às vezes, mais de uma informação ao mesmo tempo. Muitos vendedores colocam essa informação como número de núcleos, mas a isso não é exatamente verdade: embora o Linux, por exemplo, identifique o dobro de núcleos reais que o processador tem quando ele suporta essa tecnologia, o processamento é limitado. Logo, se você tiver que escolher entre um processador com 4 núcleos ou um com 2, mas que suporta a tecnologia HT, prefira um com quatro núcleos: até porque, hoje em dia, todos os processadores Intel suportam HT, logo você terá 4 núcleos reais, e mais 4 “virtuais”.
Turbo boost: Turbo boost é uma tecnologia relativamente nova da Intel, da série de processadores i3, i5 e i7. Consiste em, quando não se está usando todos os núcleos de processamento para processar algo, aumentar a velocidade dos outros núcleos. Por exemplo, um processador que tem velocidade de 2.4ghz, com turbo boost de 3.2ghz rodará (normalmente) em 3.2ghz apenas se nenhum outro núcleo estiver sendo usado. Se ele estiver usando, digamos, dois núcleos, o processamento de ambos pode aumentar para, talvez, uns 2.8ghz.

Mas, giga hertz e turbo boost, além de i3, i7, são apenas números. A Intel, talvez intencionalmente, deixa esses números bem em evidência como marketing, mas na verdade, o processamento real deles depende muito de outros fatores. Por isso há um site chamado CPU Benchmarks que faz um trabalho difícil para nós: comparar processadores. Hoje em dia, um Intel i7 quarta geração pode ser bem mais fraco que um i5 terceira, então é bom olhar para esse site.

CPU Benchmarks
Eu costumo sempre comparar colocando o nome completo do processador no Google, e então entrando no resultado que me leva ao CPU Benchmarks. Por exemplo, vamos pegar dois itens quaisquer da FastShop: Esse notebook da Sony e esse da DELL. Perceba que o intel da Sony é um i5 3a. geração, e o Dell é um i7 4a. geração. Vamos lá:

Primeira coisa é olhar o “nome completo” dos processadores. O da Sony é i5-3337U. O da Dell não vem informado-o que normalmente, é um mau sinal. Repare que nas especificações, no fim, a velocidade dos processadores vem: Sony com 1.8ghz, turbo até 2.7ghz. Dell, 3.0ghz. Quem estiver buscando notebook deve reparar que, hoje, são raros os processadores mobile com velocidade acima de 2.8ghz-logo, a informação deve estar errada. Procurando na Internet pelo modelo do Dell, achei o site da FNAC, que tem a informação completa do nome do processador: i7-4500 (na verdade, o modelo é 4500U, mas vamos ignorar esse erro da FNAC por agora). Procurei os dois no Google… e achei as duas páginas com pontuação dos processadores, a do i5 e a do i7 A pontuação do i5 é de 3.250 e a do i7, 3.861. É uma diferença pequena… comparando com esse modelo do PowerNote, que você pode fazer upgrade sem custo pra um HD de 1gb, e no qual o processador é um i5 cuja pontuação é de 4.163, o notebook da Dell está caro.

Para uma comparação de todos os processadores, pode-se usar essa página: http://www.cpubenchmark.net/laptop.html

Disco (HD, HDD, SSHD, SSD)
O disco, basicamente, é aonde armazenamos os dados. Os HDs antigos possuem as mais diversas rotações, mas isso não muda o fato de que eles são basicamente mecânicos, e lentos. Atualmente, a tecnologia de discos de estado sólido (SSD) é o que se tem de mais moderno nos notebooks e computadores, a um preço: os SSDs são mais caros. Surgem aí os discos híbridos, os tais SSHD, e para evitar confusões, o termo antigo (HDs que giram, mecânicos, com disco e braço) são chamados de HDD.

O HDD é o que terá mais espaço em disco, porém os SSDs são cerca de 100 a 200x mais rápidos para serem acessados do que os HDDs. Num SSD, programas abrem quase instantaneamente, o boot do sistema é medido em segundos, e o acesso a arquivos é absurdamente rápido. Porém, um SSD de 128gb custa o equivalente a um HDD de 1 ou 2tb, logo depende se é necessário um acesso rápido ao disco (programação, etc) ou um grande espaço no disco (edição de vídeos, 3D, etc).

Por fim, o SSHD é um HD convencional que identifica quais os arquivos mais usados e os passa para o SSD, tornando a leitura desses muito rápida. É uma solução boa para quem quer algum benefício do SSD, mas precisa de muito espaço em disco.

Resumo
Comprar um computador é uma tarefa que depende do que se vai usar, obviamente. Tudo depende do valor que se pode gastar, e especialmente, pesquisar várias marcas. E tomar cuidado com computadores muito baratos ou com informações incompletas, que elas podem guiar ao erro.

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